Deer Head Inn (pictured behind Lamb’s on the left) – Delaware Water Gap late 1800’s
A introdução de Keith Jarret com o seu discurso, acentuando o blues com a certeza de que basta ser blues para que todo o contentamento desabe em quem ouve. Gary Peacock com a marcação presente e ativa do tempo forte marca a contenção para depois explodir no seu solo. Muito melodioso. Nem sempre os contrabaixistas conseguem ser tão melodiosos, mas este é, sobretudo, um blues e, meus caros, no blues, não há nada para inventar. Para usufruir sim. O piano do Jarret com sons repetidos tá tá tá tá para não perturbar a verve de um contrabaixista. Exemplar.
E o Paul Motian? Quem canta para além do Jarret? É no arranque e no final que se respira o génio do baterista? O toque de arranque que marca o ritmo do blues bá bá bá bá,bá bá bá bá. Ele não precisa? Vai dar asas ao Jarret quando este avança para a primeira parte da improvisação antes de dar a voz ao Peacock. E o final arrebatador? sim, não os estardalhaço de uma demonstração de perícia mas de um subtil atraso um ptá ptá ptá ptá, em quasi-contratempo, desfazendo toda a marcação cerrada com que marca presença ao longo da canção e no final, trás!, aquele toque subtil. Esperem. Recuei. Andei à procura de um momento em que o Paul Motian faz diferente, uns t-chas, t-chas, reforçando a retoma do tema e nada mais. :-)
ECM Setembro 1992 A the Deer Head Inn
Keith Jarret (Piano) Gary Peacock (Bass) Paul Motian (Drums)